Política
URGENTE: Vorcaro consultou Moraes sobre possível operação da PF, indica relatório
Os diálogos foram encontrados no celular de Vorcaro, apreendido pela PF, e constam em um relatório encaminhado ao STF
Troca de mensagens entre o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), indica que os dois conversavam sobre a possibilidade de uma operação da Polícia Federal (PF) que poderia atingir o banqueiro. Os diálogos foram encontrados no celular de Vorcaro, apreendido pela PF, e constam em um relatório encaminhado ao STF. O sigilo do documento foi retirado pelo ministro André Mendonça nesta terça-feira (1º).
Segundo o relatório, em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No dia seguinte, voltou a questionar: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”. Na mesma conversa, o ex-banqueiro sugeriu um encontro com o ministro: “às 14h então, na sua casa ou na minha?”.
Cerca de 48 horas depois da primeira mensagem, na noite de 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que investigava suspeitas de fraudes envolvendo operações de crédito entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Vorcaro disse ter “dívida de vida” com Moraes
O relatório também revela outra conversa entre os dois, registrada em 14 de novembro de 2025, três dias antes da prisão. Às 21h17, Vorcaro enviou uma mensagem de agradecimento a Moraes e afirmou ter uma “dívida de vida” com o ministro e sua família.
Na mensagem, o banqueiro disse que familiares, funcionários, parceiros e amigos que dependiam dos negócios do grupo também teriam uma “dívida de vida” com Moraes. Ele terminou agradecendo por “tudo” e dizendo que continuaria trabalhando para “concluir” algo que não é especificado no relatório.
O documento da PF não informa qual era o assunto do encontro marcado entre os dois nem esclarece a que Vorcaro se referia ao falar em “conseguir concluir”. A eventual resposta de Moraes à mensagem de agradecimento também não foi reproduzida no relatório.
As mensagens foram atribuídas pelos investigadores ao contato salvo no celular de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. A PF afirma que a análise do aparelho encontrou mensagens e capturas de tela encaminhadas para esse contato pelo WhatsApp.
Escritório da esposa de Moraes recebeu R$ 3,4 milhões
O relatório da PF também aponta que o Banco Master mantinha, desde janeiro de 2024, um contrato de prestação de serviços com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Segundo a investigação, Vorcaro demonstrava preocupação com os pagamentos ao escritório. Em 8 de fevereiro de 2024, ele tratou com o cunhado, Fabiano Zettel, sobre a data do primeiro pagamento e, no mesmo dia, encaminhou um comprovante de transferência de R$ 3,4 milhões para o escritório.
Um mês depois, em 15 de março, o então ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, Fabio Faria, também teria cobrado Vorcaro sobre o pagamento. Segundo o relatório, Faria escreveu: “O careca não pode atrasar”. A PF afirma que Faria teria sido responsável pelo primeiro contato entre Moraes e o banqueiro.
Na sequência, Vorcaro procurou o sócio Angelo Silva para cobrar o pagamento. “Não pagaram Barci de Moraes. Não tô entendendo isso. Contrato mais importante que temos”, escreveu.
O banqueiro também orientou uma funcionária a não deixar o pagamento atrasar e afirmou que o escritório deveria receber mensalmente. Em uma das mensagens, segundo a PF, Vorcaro disse que o pagamento poderia ser feito “sem nota” e “do jeito que for”. O sócio respondeu que faria o pagamento antecipadamente e providenciaria a nota fiscal depois.
Vorcaro pediu restrição de acesso ao contrato
Mais de um ano depois, em abril de 2025, Vorcaro voltou a tratar do contrato com Angelo Silva. Ele perguntou onde estava o documento e se outras pessoas tinham acesso a ele.
Em seguida, pediu que o contrato fosse mantido restrito: “Ninguém ter acesso. Vc pegar e não deixar ninguém ter acesso a isso”, escreveu.
Já em outubro de 2025, pouco antes da prisão, um executivo do Banco Master informou a Vorcaro que o pagamento ao escritório havia sido realizado. O banqueiro questionou se a transferência havia sido feita por Pix e, ao receber a confirmação, respondeu: “não é bom”.
Investigação envolve operações de cerca de R$ 12 bilhões
A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes em operações de cessão de carteiras de crédito envolvendo o Banco Master e o BRB. De acordo com a PF, as operações investigadas movimentariam cerca de R$ 12 bilhões e teriam sido lideradas por Vorcaro.
O celular apreendido na prisão do ex-banqueiro se tornou uma das principais fontes de informações utilizadas pela PF para investigar, além das suspeitas financeiras, uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro.
O relatório foi produzido a pedido de André Mendonça, relator da investigação no STF, e encaminhado também à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação.
(*)Com informações do G1 e Estadão