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Política

Pesou o clima: Derrotado nas urnas, Kidson vira protagonista de confusão em debate

Kidson estava ao lado de integrantes do grupo político de Maria do Carmo

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O primeiro debate do segundo turno entre Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL), nesta terça-feira (13), terminou com uma cena que pouco teve a ver com propostas para governar o Amazonas. Kidson Maia (PL), candidato a deputado estadual derrotado no primeiro turno e convidado do grupo de Maria do Carmo, foi filmado fazendo um movimento com a mão na altura do pescoço em direção ao grupo adversário. Alessandra Campêlo (PSD), candidata a vice na chapa de Omar, interpretou o gesto como uma ameaça de morte e anunciou que procuraria a Delegacia da Mulher.

A confusão ocorreu na plateia, que nesta edição contou com convidados dos dois candidatos. Kidson estava ao lado de integrantes do grupo político de Maria do Carmo, entre eles Sargento Salazar (PL), enquanto Alessandra acompanhava Omar. Segundo Campêlo, o gesto semelhante a um sinal de degola teria sido repetido durante as provocações entre os grupos. A cena acabou transformando os bastidores do debate em uma extensão nada elegante da disputa eleitoral.

Após o programa, Omar e Alessandra divulgaram um vídeo comentando o episódio. O candidato afirmou que reagiu ao perceber o gesto e classificou a situação como uma ameaça contra uma mulher. Alessandra disse ter ficado nervosa e afirmou considerar o episódio uma forma de violência política de gênero. Ela anunciou que procuraria a Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher para registrar denúncia e pedir medida protetiva contra Kidson.

Questionado por jornalistas depois do debate, Kidson negou ter feito um gesto de violência contra Alessandra e deixou o local sem explicar detalhadamente o significado do movimento. Salazar, que estava próximo dele, disse inicialmente que não havia visto a cena. Ao ser questionado sobre a possibilidade de o gesto ter ocorrido, argumentou que o movimento poderia ter diferentes interpretações.

“Pode ter sido, vão perder a eleição, vão perder a eleição. Pode ter vários significados. Tu acha que um homem vai falar isso pra mulher?”
O episódio agora sai da arquibancada política e pode chegar oficialmente à polícia. Até o momento, não há conclusão de que o gesto tenha configurado uma ameaça criminal, o que dependerá da apuração das autoridades.

Não ficaria feio para a primeira candidata mulher no Amazonas a disputar o segundo turno das eleições receber o apoio de um político que, além de não ter sido eleito, parece se comportar de maneira duvidosa diante de uma adversária mulher. E se a adversária fosse a própria Maria do Carmo, ela levaria apenas como um “ato político”?

Aleam repudia gesto

A Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), por meio do seu presidente, deputado Adjuto Afonso, e em nome de todos os parlamentares, divulgou uma nota de repúdio contra o episódio de intimidação sofrido pela deputada estadual Alessandra Campelo.

A nota da Assembleia classifica a atitude como inadmissível e enfatiza que qualquer gesto de intimidação ou constrangimento contra uma mulher em seu exercício público afronta o respeito, a dignidade e a segurança. O poder legislativo amazonense ressaltou que o caso evidencia a urgência no combate à violência política de gênero, prática que tenta coagir e silenciar lideranças femininas que ocupam cargos de representação e decisão na sociedade.

Ao prestar solidariedade à deputada Alessandra Campelo, o presidente Adjuto Afonso e os demais deputados reafirmaram que divergências políticas não justificam atos desrespeitosos ou intimidações. Por fim, o parlamento estadual defendeu a rigorosa apuração dos fatos pelas autoridades competentes e reiterou seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres, o respeito às instituições democráticas e a convivência pautada pelo diálogo e pela civilidade.

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