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Ministro da Justiça da França admite falhas após fim de semana de violência
Gérald Darmanin reconheceu problemas de inteligência após protestos com confrontos e saques; mais de 2 mil pessoas foram presas no país
Mundo – O ministro da Justiça da França, Gérald Darmanin, reconheceu falhas das autoridades na resposta à onda de violência registrada no país durante o fim de semana. A declaração foi feita nesta segunda-feira (19), após protestos que terminaram em confrontos, saques e danos a prédios públicos e estabelecimentos comerciais.
Segundo o ministro, os serviços de inteligência não conseguiram antecipar adequadamente a dimensão dos distúrbios. Além disso, Darmanin afirmou que os responsáveis pelos ataques e saques deverão responder à Justiça.
As autoridades francesas registraram 2.331 detenções durante o fim de semana. Desse total, cerca de 70% envolviam adultos. Mais de 80% dos casos já haviam resultado em procedimentos judiciais, segundo informações divulgadas pelo ministro.
Protestos na França terminam em saques e confrontos
As manifestações ocorreram em diferentes cidades francesas, incluindo Paris e Marselha. Inicialmente, os atos reuniam reivindicações contra o alto custo de vida e a precariedade dos serviços públicos.
No entanto, os protestos ganharam força após manifestações estudantis iniciadas em setembro. Os estudantes reivindicavam melhores condições de ensino.
Durante o fim de semana, grupos envolvidos nos distúrbios saquearam lojas, depredaram estabelecimentos e entraram em confronto com policiais. Em Limoges, no sudoeste da França, manifestantes incendiaram um prédio da prefeitura.
Além disso, a violência atingiu outros edifícios públicos e comércios. Em Paris, as autoridades registraram cerca de 350 detenções no domingo e durante a madrugada de segunda-feira. Aproximadamente 30 lojas também foram saqueadas na capital.
Ministro do Interior admite perda de controle
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, também reconheceu falhas na preparação das forças de segurança. Segundo ele, os agentes perderam o controle da situação em algumas cidades.
Apesar da mobilização de aproximadamente 60 mil policiais e gendarmes no sábado, as equipes tiveram dificuldades para conter os grupos envolvidos nos atos violentos.
Diante da crise, o presidente francês, Emmanuel Macron, rejeitou o pedido de demissão apresentado por Nuñez. Em vez disso, determinou que o ministro continue no cargo e adote novas estratégias de segurança.
Macron também cobrou transparência sobre as falhas de inteligência e pediu medidas para restabelecer a ordem no país.
Governo francês enfrenta pressão política
A dimensão dos distúrbios aumentou a pressão sobre o governo francês. Enquanto partidos de diferentes correntes políticas criticam a atuação das autoridades, integrantes do governo responsabilizam os grupos que praticaram saques e vandalismo.
Nesse contexto, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou uma reunião interministerial para discutir os impactos da violência.
O encontro deve abordar os prejuízos econômicos, as questões relacionadas aos seguros e o andamento dos processos judiciais. Além disso, o governo pretende reunir representantes de partidos, sindicatos, autoridades locais e parlamentares para discutir possíveis medidas.
Saques causam prejuízos milionários na França
Os ataques também provocaram perdas significativas para o comércio francês. Alain Di Crescenzo, presidente da entidade que representa as Câmaras de Comércio e Indústria da França, estima que mais de 2 mil estabelecimentos tenham sofrido danos.
Segundo ele, os prejuízos podem chegar a centenas de milhões de euros. Entre os estabelecimentos afetados estão lojas atingidas por saques e atos de vandalismo.
Diante das perdas, o governo estuda medidas de apoio aos comerciantes. Entre as possibilidades estão a aceleração do pagamento de indenizações, a oferta de linhas de crédito e eventuais benefícios fiscais e sociais.
Enquanto isso, as autoridades continuam sob pressão para conter a violência e responder às reivindicações relacionadas ao custo de vida e à qualidade dos serviços públicos.