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Política

“Ou atende ou roda”: servidora denuncia inteferência do Governo para furar fila do Sisreg no Amazonas

Uma servidora afirma ter sofrido pressão para acelerar atendimentos de pacientes supostamente indicados pela Casa Civil, o governador Roberto Cidade e a primeira-dama Thaisa Cidade

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Enquanto pacientes aguardariam meses ou até anos por consultas, exames e procedimentos, uma denúncia apresentada na noite desta segunda-feira (28) coloca sob suspeita a ordem da fila do Sistema de Regulação (Sisreg) no Amazonas. Uma servidora da rede estadual de Saúde afirma ter sofrido pressão para acelerar atendimentos de pacientes supostamente indicados em demandas atribuídas à Casa Civil, ao governador Roberto Cidade, à primeira-dama Thaisa Cidade e a outras pessoas ligadas ao governo.

O relato foi levado ao debate entre candidatos ao Governo do Amazonas nesta segunda-feira pelo candidato Omar Aziz (PSD) e posteriormente divulgado nas suas redes sociais. Com a identidade preservada, a servidora afirma que as solicitações chegavam principalmente por WhatsApp e telefone e que a pressão teria aumentado a partir de julho, durante o período eleitoral. Segundo ela, pacientes recém-inseridos no sistema conseguiriam autorização em poucos dias, enquanto outros continuariam esperando na fila.

A denúncia também aponta um servidor identificado como Francisco Júnior como responsável por encaminhar parte das solicitações atribuídas à Casa Civil. A servidora relata ainda supostas ameaças de exoneração, punição ou transferência contra profissionais que resistissem aos pedidos.

“Ou atende ou roda”, afirmou ao descrever a pressão que diz ter ocorrido. Até o momento, não há confirmação independente de que essas ameaças tenham sido efetivamente realizadas ou de que os nomes citados tenham determinado a quebra da ordem da fila.

“As pessoas que estão lá na fila já esperando, elas ficam lá, continuam lá esperando. O que vai acontecer com essas outras pessoas que já estão há um ano, há um ano e meio, ou dois anos até, eu não sei como é que vai ficar, porque bagunçou todo o sistema”, afirmou a servidora.

Como indícios, foram apresentados prints de conversas, documentos e planilhas que, segundo a denunciante, registrariam pedidos identificados com expressões como “DAMA-CASA CIVIL”, “SOL DAMA” e “AUTORIZADOS CASA CIVIL DIA 21/09/2026”.

O material também mencionaria pacientes em busca de atendimento relacionado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). A existência dessas anotações, por si só, não comprova quem teria ordenado eventual prioridade nem se houve efetivamente violação da ordem regular do Sisreg.

Segundo o material divulgado, a documentação teria sido encaminhada ao Ministério Público Federal para apuração. Agora, a denúncia exige respostas e, sobretudo, verificação documental: se os registros do Sisreg confirmarem que pacientes recém-inseridos passaram à frente de quem aguardava há mais tempo sem justificativa clínica ou administrativa, caberá às autoridades identificar quem pediu, quem autorizou e com qual fundamento.

Até essa apuração, as acusações permanecem como alegações da servidora divulgadas em plena reta final da campanha eleitoral.

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